
EDIÇÃO 77 > NACIONAL
Efeitos da descoberta da nova reserva
Noemi Vieira
A descoberta da reserva de petróleo e gás no campo de Tupi, na Bacia de Santos, causou alvoroço no mundo inteiro. No Brasil, a reação veio do mercado financeiro. Com o anúncio, as ações da Petrobras subiram 10% em um só dia e muita gente até se esqueceu da crise do gás no país. Mas embora a notícia seja boa, a exploração da nova reserva ainda é uma incógnita. Segundo especialistas, será preciso muito estudo e investimento em tecnologia para explorar as profundezas da nova jazida sem causar danos ao meio ambiente.
Segundo a Petrobras, o volume recuperável da reserva é de 5 a 8 bilhões de barris de óleo e gás natural, potencial que aumentará a produção da estatal em mais de 50% daqui a sete, dez anos. Mas o primeiro desafio será descobrir que tipo de tecnologia utilizar para extrair petróleo de uma região nunca explorada no mundo, localizada a 5 mil metros de profundidade, onde os reservatórios se encontram abaixo de uma extensa camada de sal.
“Como se trata de uma tecnologia muito nova, não se sabe direito qual o custo para comercializar essa reserva, nem se conhece os tipos de problemas que essa exploração poderá causar”, reitera o diretor do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (Cebi), Adriano Pires. No entanto, é consenso que, embora pouco conhecidos, os impactos ambientais em uma exploração em alto mar existem e devem ser estudados.
Segundo David Zee, ambientalista e professor de meio ambiente da Cesgranrio, todas as etapas da extração de petróleo em águas – desde a exploração do local até a produção efetiva – oferecem riscos ao meio ambiente, incluindo o trabalho em terra. “Não se trata apenas do campo de Tupi, mas também das bases de recepção em terra, onde são feitas instalações de equipamentos e manutenção de navios. Ainda tem a questão do transporte até o mar e o próprio local de exploração”, esclarece o ambientalista.
BIOCOMBUSTÍVEIS
Embora a descoberta da reserva tenha provocado grandes estímulos para a produção petrolífera, o incentivo à produção de etanol não ficará em segundo plano. “Todos sabemos do aquecimento do planeta e que o petróleo é um dos causadores desse problema. Portanto, vamos continuar investindo nos biocombustíveis", garantiu o presidente Lula em entrevista ao programa Café com o Presidente.
Segundo Pires, a produção de etanol é importante para eliminar os riscos de um apagão. “O Brasil tem de ser inteligente e sempre manter a diversificação na oferta de energia. A possibilidade de crises é muito maior quando se depende de uma única fonte”. Ou seja, mesmo que o país dobre sua produção de petróleo daqui a dez anos, é importante não abrir mão do etanol, que além de menos poluente, é um produto bastante competitivo no mercado internacional.
